Edição 303 | 2017

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24/02/2017 15:57

Demissão: aqui não!

Entenda a importância de se manter atualizado e ativo em um mercado de trabalho ameaçado pela crise econômica

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Uma pesquisa divulgada pela CNI - Confederação Nacional da Indústria mostrou que o Índice do Medo do Desemprego aumentou em 36,8% em dezembro passado, em relação ao mesmo mês em 2014. Em 2015, foram fechados mais de 1,5 milhões de postos de trabalho formais no Brasil, o pior quadro desde 1992, de acordo com o Ministério do Trabalho e Previdência Social. Os números e o atual cenário econômico assustam e o receio de perder o emprego aumenta. Pensando neste quadro, o coach de carreira, psicólogo e youtuber, Márcio Souza, destaca atitudes importantes que podem garantir a permanência no emprego, além de dicas para quem foi demitido e está em busca de uma nova oportunidade.

“Para quem está empregado e não quer ser alvo das demissões, uma atitude que pode ajudar é perceber o momento de crise e entender que, em situações como esta, muitas vezes será necessário trabalhar mais e acumular funções, sem que isso reflita no aumento do salário. O trabalhador deve compreender o momento e entender que certos sacrifícios são necessários e podem valer a pena. No entanto, estes sacrifícios devem respeitar critérios pessoais. O funcionário é quem avalia até onde pode ir”, destaca o especialista. Outra dica para quem está trabalhando é notar o ambiente e ter consciência do clima na empresa para reivindicar algo, como um reajuste, por exemplo. “É preciso estar atento aos sinais ao redor, pois, do contrário, você poderá se prejudicar”, completa.

Avaliar a própria formação e checar se ela é compatível com o cargo atual é outra dica valiosa. “Acontece que um funcionário cresce dentro de uma empresa, na maioria das vezes, por consequência de seu trabalho bem feito, pelo reconhecimento, pelo bom relacionamento que constrói. No entanto, ele pode alcançar um nível que não condiz com sua formação inicial”, afirma Souza. Ele explica que esta defasagem no currículo pode comprometer este profissional caso ele tenha que se recolocar no mercado de trabalho futuramente. “Sabendo disso e investindo em sua formação, o trabalhador ficará mais tranquilo e seguro, caso seja demitido.” Para afastar o medo, que é gerado por uma ameaça, a saída é o planejamento. “O medo é uma resposta a uma ameaça. O contrário é a segurança, que é desencadeada pelo planejamento, por uma base sólida na carreira”, analisa.

Desemprego
Entre agosto e outubro de 2015, a taxa de desemprego no Brasil foi de 9%, de acordo com dados da Pnad - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - divulgados pelo IBGE. Para quem está sem trabalho, o coach revela algumas dicas que podem ajudar na busca por uma nova chance. “Em primeiro lugar, é preciso compreender o motivo da sua demissão. A primeira reação costuma ser culpar a crise ou a empresa que o demitiu. Mas, muitas vezes, o que acontece é que a empresa quando se vê obrigada a cortar funcionários, geralmente, escolhe aqueles que já estavam dando algum tipo de problema. Então, refaça seu trajeto e tente perceber em qual momento pode ter cometido alguma falha. Este autoconhecimento será muito útil nos próximos desafios”, afirma Souza.

“Em segundo lugar, avalie sua formação. Uma atitude muito comum é que a pessoa, ao se sentir segura em um cargo, pare de procurar melhorar, enquanto aqueles que desejam subir na carreira costumam aproveitar cada oportunidade para encrementar seu currículo. Assim, avalie se não há algum conhecimento que esteja em falta”, reforça. Acionar a rede de relacionamentos e fazer networking é outra atitude recomendada. Muitas vagas não são enviadas para agências ou publicadas em anúncios no jornal. “Certos cargos costumam ser ocupados por meio de indicações feitas por pessoas de confiança do contratante. Portanto, sua rede de amigos e de contatos profissionais podem te ajudar a conseguir o emprego que você quer, mas antes eles precisam saber disso”.

Prestar atenção nas oportunidades e nas mudanças que ocorrem no mercado é a terceira dica do coach. “Uma das características do mercado de trabalho é que ele se reconfigura constantemente. Pense em como você poderia usar suas habilidades para continuar fazendo o que você gosta de uma forma diferente, que esteja sendo mais solicitada pelo mercado atual”. Por fim, capriche no currículo. “Seja objetivo e conciso, detalhe as atividades que desempenhava nos cargos anteriores e destaque suas principais conquistas. Relacione os cursos que você fez e que te capacitam para o cargo pretendido. Revise o texto para evitar erros de português, use uma fonte de fácil leitura e capriche na formatação”, finaliza Souza.

Demissão à vista

Avaliações ruins 
Nem sempre uma avaliação ruim é sinal de demissão, pode ser uma oportunidade para que você se supere e dê a volta por cima. No entanto, se elas se tornarem frequentes e você receber muitos feedbacks negativos, seu emprego pode estar em risco.

Exclusão 
Desconfie se você começar a ser excluído de reuniões importantes relacionadas diretamente ao seu trabalho.

Perda de acesso a dados
Se de repente você passa a ter menos acesso a recursos que facilitariam seu trabalho e aumentariam a produtividade, este pode ser um sinal de que a empresa não vê mais retorno no investimento feito em você. Outro motivo para se preocupar é se a senha do e-mail não funcionar mais, ou se seu acesso à intranet da empresa for barrado.

Fazer todo o trabalho é impossível
Podem existir várias razões para você não dar mais conta do trabalho: estar sob uma liderança despreparada, trabalhar em uma empresa desorganizada ou em uma equipe muito enxuta. A sobrecarga, por sinal, é comum neste período de crise. No entanto, se os prazos e metas são claramente inatingíveis, isso pode ser proposital – uma tentativa da companhia ou do chefe de vê-lo fracassar e ter um motivo para demiti-lo.

Piora na relação com o chefe
É normal que exista alguma tensão no ambiente de trabalho porém, educação e respeito são fundamentais. É necessário que haja confiança e cordialidade entre você e seu chefe. Atritos constantes são prejudiciais.

Suas responsabilidades diminuíram
Se você lidera uma equipe e de repente seus subordinados passam a responder a outros gestores, fique atento. Se projetos que estavam sob seus cuidados são transferidos para outros funcionários sem nenhuma explicação razoável, é possível que o seu cargo esteja ameaçado.

Você tem que treinar outro funcionário com urgência
Desconfie se tiver que treinar outro funcionário para fazer exatamente as mesmas atividades que você. Tal treinamento é desejável e necessário quando a equipe cresce ou há um remanejamento de cargos. Porém, se de um dia para o outro você tiver que ensinar tudo o que sabe sem conhecer o motivo, talvez não seja um bom sinal. 

Fonte: Finanças Femininas
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