Edição 299 | 2016

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20/10/2016 15:53

Brechó com glamour

A venda de itens de segunda mão avança em meio à retomada da economia, apoiada pelo crescimento da preocupação com o meio ambiente

Divulgação
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Se, ao pensar em um brechó, você lembra de roupas e sapatos ultrapassados e antigos, cheiro de naftalina e muito pó, é melhor começar a rever seus conceitos. O mofo e as roupas fora de moda já não ocupam os brechós há muito tempo e eles ganharam ares de requinte, roupas novas, tendências e economia para quem não abre mão de encontrar peças estilosas mesmo sem ter que pagar uma fortuna por elas. Se engana também quem pensa que esses locais se limitaram a venda de vestuário. Itens como acessórios, bolsas, móveis e até instrumentos musicais podem ser encontrados nas lojas que se adaptaram com charme e elegância a um consumir ávido por novidades. É o que garante a proprietária do Santa Grife Brechó, Dinorá Braga. “Você pode encontrar de tudo num brechó, desde roupas e acessórios até móveis, objetos de decoração e eletrodomésticos. No Santa Grife já vendi de tudo: instrumentos musicais, aparelhos de academia, peruca, é como uma loja de departamentos”, compara. “Além disso, trabalhamos com peças únicas e temos frequentadores assíduos pois os produtos são renovados quase que diariamente”, completa.

O principal diferencial desses locais em relação à imagem antiga que alguns ainda têm desses estabelecimentos, é o cuidado e o carinho com as roupas que chegam à loja. A proprietária da Casinha Brechó e da Boutique Vintage Brechó Bar, Cristiane Seixas explica que prioriza qualidade nos produtos e em todos os processos internos. “A curadoria das peças que irão a venda, a higienização, revisão e reparo, precificação e a organização do ambiente de venda, são minuciosamente controlados para garantir qualidade e satisfação do cliente. O princípio básico é que o fato de serem itens de segunda mão não diminui as necessidades de conforto, realização e satisfação exigidos pelo consumidor do mercado atual”, enfatiza.

Esses locais também recebem itens novos, muitas vezes com a etiqueta original ou em suas caixas, que foram comprados por impulso e nunca foram usados, são frutos de um presente que não agradou e nem foi trocado ou mesmo de lojas que tiveram que fechar suas portas e se desfazem de coleções inteiras a preço de custo. Atraídos por preços mais baixos, principalmente nessa época de economia e instabilidade financeira, novos e antigos frequentadores se animam ao notar que ocorreu uma “evolução natural do comércio de itens usados que sempre existiu pelo mundo afora”, destaca Cristiane. Ela explica que a compra e venda de itens de segunda mão não é novidade, mas que a maneira como este comércio é realizado mudou. “Há uma certa glamourização do consumo em brechós. Estamos em alta também entre a mídia e os artistas além do que, plataformas online são lançadas para atender a demanda de compra e venda, e nesse burburinho os diferenciais de cada comerciante vão surgindo, os proprietários vão sendo obrigados (no bom sentido) a crescer e melhorar seus negócios, como ocorre em todos os setores, gerando uma melhor visibilidade para todos”, destaca.

Tudo começou com estudantes franceses que vendiam suas roupas para conseguirem dinheiro extra, e logo a ideia foi abraçada por toda a Europa, passando a ser uma alternativa profissional de venda de roupas e acessórios. “O conceito logo chegou nos Estados Unidos e depois no Brasil, em 1972 quando a cantora Maysa Monjardim trouxe da Europa a moda dos ‘brechós de luxo’ e abriu o MaléLixo em Copacabana, onde comercializava peças suas e de suas amigas socialites”, lembra Dinorá.

Hoje, é possível encontrar diversos perfis de brechó e, com o crescimento do setor está cada dia mais fácil achar uma boa loja; algumas delas, inclusive, segmentadas (moda atual, vintage, luxo, infantil). “A crise financeira que atingiu o País, também afetou os brechós. As pessoas compram menos peças, mas ganhamos novos clientes atraídos pelos preços baixos. Porém, o que mais me chamou a atenção é o número de pessoas que nos procuram para vender suas peças. Muita gente percebeu que seus guarda-roupas abarrotados são uma fonte de renda extra”, conta a proprietária do Santa Grife.

Sustentabilidade
Apesar de parecer apenas uma atividade de compra e venda de itens de segunda mão, é possível olhar a atividade de forma mais profunda no sentido da preservação ambiental. “Estamos vivendo um aumento da consciência de consumo, ou seja, o consumidor está mais reflexivo sobre as questões que envolvem sua ação de comprar. Consumindo itens seminovos você contribui diretamente com a sustentabilidade, tanto do ponto de vista ambiental como social, evitando a utilização de novas matérias-primas para a fabricação do novo, deixando de gerar resíduos com o descarte de um material ainda bom para uso e reduzindo, ainda que de maneira pouco significativa, parte dos problemas sociais gerados pelas cadeias produtivas”, destaca a proprietária da Casinha Brechó e da Boutique Vintage Brechó Bar. “Sobre o cenário geral dos brechós, posso dizer que ganhamos muito nos últimos anos, tanto em evolução dos pontos de venda em geral como em qualidade e quantidade de público adepto ao negócio, acredito que, além das tendências de consumo mais consciente, a internet ajudou muito a desmistificar e popularizar o setor. Antigamente, o assunto era pouco falado em mídias convencionais, com a rede o assunto se disseminou de maneira mais livre e muitos mitos foram caindo”, completa.

''A consciência de reciclar e reutilizar coloca o brechó como forma de consumo consciente e ecologicamente correto'' 
Dinorá Braga - proprietária do Santa Grife Brechó


''Comprar em brechós oferece uma melhor relação custo-benefício''
Cristiane Seixas - proprietária da Casinha Brechó e da Boutique Vintage Brechó Bar
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